“Eu sou O caminho A verdade e A vida”

João 14:6 diz tudo…

Zeitgeist

Posted by Mikha´el em 06/10/2009

Um amigo meu um dia falou-me de um certo vídeo ateísta que, disse ele, me faria ver as coisas de um ângulo diferente.zeitgeist3
Esse vídeo chama-se ZEITGEIST, que em alemão significa algo como ‘espírito do tempo’, e apresenta-nos três teorias da conspiração:
O Cristianismo é uma farsa;
O 11 de Setembro foi encomendado pelo Governo Americano;
Há uns tipos que mandam no mundo…

O vídeo pode ser visto aqui:http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024#

Vamos então fazer uma pequena análise ao vídeo.

Para começar, para um filme que é suposto ser um documentário, começa de forma muito diferente do que seria de esperar: as imagens de guerra, a música, bandeira americana sobre a Bíblia, com mais guerra a seguir, tudo isto é muito mais um apelo às emoções e aos sentimentos do que seria de esperar de um documentário com base racional.

A primeira frase polémica surge aos 6:50: “Eles devem achar difícil… aqueles que aceitaram a autoridade como verdade, em vez da verdade como autoridade. G. Massey.”
Logo aqui temos o primeiro tiro no pé. Nem a Diciopédia, nem a Encyclopaedia Britannica o conhecem… após alguma pesquisa na Internet, ele aparece: um poeta inglês do séc. XIX que estudou Egiptologia de forma auto-didacta. Ou seja, não tem qualquer qualificação reconhecida. Não é um “Egiptólogo”, como alguém que se lembre de estudar medicina sozinho não é “médico”.

E a continuação com mais uma falácia, mais uma vez a apelar às emoções, e com comédia até dá para ridicularizar um pouco. Não exactamente o início espectável de um documentário sério.

Aos 10 minutos começa a falar do sol. A importância do sol, a adoração do sol pelas culturas antigas, etc., etc…
Contradição: Apesar de, de facto, as religiões primitivas adorarem o sol, não lemos uma única passagem na Bíblia – nem no Antigo Testamento nem no Novo Testamento, que implique qualquer tipo de adoração ao sol, ou de divinificação do sol. Adoração apenas ao único Deus verdadeiro, que criou tudo o que existe (por exemplo o Salmo 8). É muito importante notar essa diferença: todas as religiões antigas divinizavam a natureza, enquanto o judaísmo cria e crê no Deus que não é o sol, nem tem um filho que é o sol, nem tem nada a ver com a natureza nesse sentido. A natureza é uma parte da criação de Deus. E é apenas Deus que é adorado.

Aos 11 minutos, o filme apresenta a cruz do zodíaco como “uma das mais antigas imagens conceptuais da história”. Pelo contexto do parágrafo, dá a entender que esta imagem surgiu nas culturas primitivas. No entanto, o próprio zodíaco apenas surgiu na cultura grega. Chamavam-lhe “zōdiakos kyklos”, que significa círculo de animais. #1 Além da cultura grega, as mais antigas evidências de uma espécie de zodíaco remontam ao séc. 5 a.C., na região mesopotâmica #2
Melhor ainda: a imagem apresentada está escrita em inglês, que foi um idioma criado na idade média. Custa muito a acreditar, portanto, que aquela imagem seja o que querem fazer crer.
Logo a seguir, quando volta a falar do sol, faz uns trocadilhos muito interessantes: “god’s sun” -literalmente o sol de deus-, que soa como “god’s son” – filho de deus – seguido por dois atributos bíblicos de Jesus Cristo: luz do mundo e salvador da humanidade.

Começa aqui, a implicar sem quaisquer bases, as semelhanças entre Jesus e o sol.

No minuto seguinte, Hórus é apresentado como o deus-sol do Egipto. No entanto, o deus sol egípcio era Re, ou Ra #3,e é Re que simboliza o movimento do sol no céu. #4
Seguidamente, Hórus é chamado de “messias solar“. Isto é mais uma falácia, pois “messias” é um título judaico, e é aqui atribuído a um deus egípcio para forçar uma comparação.

No minuto 13, começa a descrever a história de Hórus. Nascido a 25 de Dezembro, da virgem Isis-Meri, anunciado por uma estrela a Este, que 3 reis seguiram para o adorar. Professor aos 12 anos, foi baptizado por Anup aos 30, tinha 12 discípulos, fez milagres, conhecido por nomes semelhantes a Jesus, traído, crucificado, sepultado por 3 dias e ressuscitado.

Vamos então analisar estas semelhanças:
NASCIMENTO A 25 DE DEZEMBRO: Em lado nenhum encontrei informação que suportasse isso. Pelo contrario, a única informação acerca do tempo do nascimento de Hórus refere-se ao Festival de Khoiak, que celebrava a morte de do Deus Osíris, o seu renascimento e o nascimento de Hórus, num mês coincidente com Setembro e Outubro #5, #6 .
DA VIRGEM ISIS: mais uma vez, a história mais comummente descrita acerca de Ísis não indica em lado algum que ela fosse virgem quando Hórus nasceu. Pelo contrário, ela era viúva de Osíris, que tinha sido morto por Set. Set, quando matou Osíris, espalhou os seus restos mortais pelo Egipto. Ísis então encontrou e juntou todos menos um. A parte da genitália. Então ela própria criou essa parte do corpo e usou-a para engravidar e assim nascer Hórus.#7, #8 Onde é que está a virgem? E ela chamava-se apenas Ísis. de onde nasceu o Meri?
ANUNCIADO POR UMA ESTRELA A ESTE: mais uma vez, não encontrei nada acerca disto, mas está bem…
ADORADO POR 3 REIS: mais uma afirmação que não consegui encontrar bases.
PROFESSOR AOS 12 ANOS: mais uma afirmação sem fontes.
BAPTIZADO AOS 30 ANOS: continuação de bom tempo. Nenhuma referência extra-zeitgeist a este evento. Em relação a Anup, nada senão uma insinuação que poderia ser uma alteração ao nome de Anubis. Mas Anubis era o deus da morte e das mumificações… dificilmente um paralelo com o baptismo…
E COMEÇOU O SEU MINISTÉRIO – ministério de Hórus? Andar à porrada com Set para vingar a morte de Osíris é considerado um “ministério” comparável ao de Jesus?
TINHA 12 DISCIPULOS: consigo encontrar referências a 4 discípulos, chamados Heru-Shemsu…#9 4, não 12.
FEZ MILAGRES, como andar na água e curar doentes: mais uma vez, sem referencias, mas se ele era um deus, que dificuldade teria isso?
CONHECIDO POR NOMES SEMELHANTES AOS DE JESUS: “verdade”, “luz”, filho de deus”, “bom pastor”, “cordeiro de deus”… Mais uma vez sem fontes…
TRAIDO, CRUCIFICADO, SEPULTADO POR 3 DIAS E RESSUSCITADO: uma das historias acerca da sua morte diz que ele foi mordido por um escorpião, e perante os lamentos de Ísis, o deus Toth ressuscita-o de facto, mas parece que isto se passou quando ele era criança… #10 outra versão diz que ele nunca chegou a morrer, mas se juntou ao deus Ra no sol, passando a chamar-se Ra-Harakhte, morrendo e ressuscitando simbolicamente todos os dias #11
Nenhuma referencia a traição, crucificação, sepultamento ou ressurreição minimamente parecida à de Jesus.
Deve-se referir que a crucificação era uma tortura usada pelos persas, e depois adoptado, entre outros pelos romanos. O problema é que o império persa começou a surgir no séc. VI a.C. Ora, como o filme data a biografia de Hórus em 3000 a.C. há aqui uma enorme discrepância na historicidade do assunto.

Aos 13:55, o narrador continua a descrever deuses de outras mitologias com histórias semelhantes… vamos ver o que conseguimos descobrir acerca destes deuses…

ATTIS: a sua mãe concebeu-o ao comer do fruto de uma amendoeira que cresceu da genitália de Agdistis, que os deuses tinham cortado; Nenhuma referencia a data de nascimento; Entretanto ficou louco por amor, cortou os seus órgãos genitais e transformou-se num pinheiro. #12
KRISHNA: encarnação do deus Vishnu, foi o 8º filho de Vsudeva e Devaki. #13 Numa guerra, o seu irmão e filho foram mortos. Enquanto ele chorava a sua perda, um caçador confundiu-o com um veado e matou-o com uma seta. A historia acaba aí #14.
DIONISIO: filho de Zeus e de uma princesa de Tebas, Semele, esta foi morta por Zeus enquanto estava grávida. Zeus então retirou Dionisio ainda por nascer do ventre da mãe morta e pô-lo na sua coxa, onde ele passou os últimos 3 meses de gestação (será a isto que o filme se refere como virginal?). Nenhuma referencia à data de nascimento. Uma vez que era o deus do vinho, é natural que haja milagres com vinho. Nenhuma referência a ressurreição. Noutra lenda, ele é filho de Persephone, mas sem dados sobre o seu nascimento, e é morto e comido pelos titãs. Atena consegue resgatar o seu coração, e Zeus usa-o para o fazer renascer – não ressuscitar – através de Semele. #15
MITHRA – nascido junto a um riacho sagrado, debaixo de uma árvore sagrada, filho da própria Terra. #16 A Diciopédia, no entanto, descreve-o de uma forma muito zeitgeistiana: nascido de uma virgem, teve discípulos, morto, sepultado e ressuscitado. Haja pelo menos uma fonte que indique um deus parecido com características semelhantes… #17

Passa então uma lista de deuses, que supostamente têm os mesmos atributos de Jesus. No entanto, vimos que dos 5 anteriores, apenas um tinha características semelhantes a Jesus. Se o rácio continua assim, teremos mais dois ou três… com a possibilidade real de vários deles serem cronologicamente posteriores a Jesus. Vou ser sincero, nem me dei ao trabalho de os verificar…

Aos 15:15, uma afirmação forçada “vamos examinar o mais recente dos messias solares“. Jesus não foi um “messias solar“. Jesus foi O messias, e nada tem a ver com o sol. Mais uma afirmação destinada a forçar semelhanças onde elas não existem. Analisemos então o retrato que o filme faz de Jesus:

Nascido da virgem Maria a 25 de Dezembro em Belém. O seu nascimento foi anunciado por uma estrela a Este, seguida por 3 reis magos para o encontrar e adorar. Tornou-se professor com 12 anos, e aos 30 foi baptizado por João Baptista, assim começando o seu ministério. Teve 12 discípulos, praticou milagres, traído por Judas, vendido por 30 peças de prata, foi crucificado, colocado num túmulo, e três dias depois ressuscitou e ascendeu aos céus. É interessante notar o tom monocórdico de quem está a repetir algo pela milésima vez. Está, de facto, mas grande parte do que foi dito anteriormente não é verdade, como já vimos…

Vamos então analisar a análise de zeitgeist: Nestas 15 características e momentos da vida de Jesus, mais uma vez, vários erros.
Nada na Bíblia nos diz em que dia nasceu Jesus. O dia 25 de Dezembro foi implantado no séc. III pela igreja católica para facilitar a integração de povos pagão no catolicismo.
Jesus não foi visitado por 3 reis magos. A Bíblia refere-se apenas a magos, ou homens sábios, sem mencionar o número e não eram reis. Poder-se-ia pensar, que pelas dádivas que eles trouxeram (3 dádivas – OURO, INCENSO e MIRRA), que eram 3 Magos, mas voltamos a cair no mesmo erro, 3 eram o número das dádivas, não dos magos (eles podiam ser 7, 8, 9, etc…).#19
Jesus não era professor aos 12 anos. A bíblia refere que Jesus, com 12 anos estava no templo a inquirir e a conversar com os doutores. #20
Jesus não tinha 12 discípulos. Tinha muitos. Certa altura enviou 70 a evangelizar. #21 Tinha, isso sim, 12 principais. A razão desses 12 é explicada mais à frente.

Em relação ao que é dito seguidamente acerca do nascimento de Jesus ser “puramente astrológico”, creio que o facto de a data de nascimento não ser conhecida refuta suficientemente estas alegações. Mas, mesmo que tivesse sido, ainda assim, não poderia estar correcto.
Vejamos: o filme descreve que a estrela Sirius se alinha com as 3 marias, ou “3 kings” todos os anos, no solstício de Inverno. A Bíblia descreve os visitantes como magos, ou sábios. O que é que havia de especial num fenómeno astrológico anual que os fizesse correr atrás de um salvador para o ir adorar? A explicação não convence.
Mais: os magos não chegaram até Jesus logo na noite em que ele nasceu, ao contrário do que possam indicar, mais uma vez, as tradições, ou o próprio filme. A Bíblia diz que eles encontraram o menino numa casa #22, ao passo que ele nasceu num estábulo. #23 Mais: durante o caminho, eles pararam em Jerusalém, para pedir indicações. Quando continuaram, a estrela continuava à frente deles. #24 Herodes, após saber que eles procuravam o que era nascido Rei dos Judeus, mandou matar todos os meninos em Belém com menos de 2 anos, “segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos”. #25 Portanto, não pode ter sido um evento anual normal e que demora apenas alguns poucos dias a revelar o nascimento de Jesus aos magos.

Passando para Maria, não temos senão insinuações. E já agora, o símbolo do signo escorpião também é um “m” alterado. Isso significa que Maria era a personificação de um escorpião?

Aos 17:20, diz que Belém se refere a uma constelação? Com que bases? Belém é uma cidade perto de Jerusalém! É preciso mostrar também um atlas?

Aos 18:20, diz que o sol pára por 3 dias debaixo da constelação Crux, ou Cruzeiro do Sul. Em primeiro lugar, o sol não para nunca por 3 dias… está tão parado nesses três dias “perceptivelmente”, como em quaisquer outros três dias do ano. Em segundo lugar, essa constelação não existia no tempo de Cristo. Claro que as estrelas se viam, mas faziam parte da constelação de Centauro. Apenas no séc. XVI foram separadas e foi criada a constelação Crux. #26 Portanto, há 2000 anos atrás, não podia “ser costume” dizer “o Sol morreu na cruz, esteve morto por 3 dias, apenas para ressuscitar ou nascer uma vez mais”.

Logo a seguir, mais uma vez “Jesus e numerosos outros Deuses-Sol…” Jesus não é um Deus-Sol! Onde estão as bases para isso? E já agora, também não conseguimos encontrar nenhum desses “numerosos“… A seguir fala dos equinócios e etc., mas nem me vou dar ao trabalho de comentar, porque não tem nada a ver com o Cristianismo; tanto não tem que não se fala de cristianismo. Apenas um “eles” sem nome nem tempo. E já agora, o que tem a Páscoa a ver com o Equinócio da Primavera?

Ao 19:20 (isto é cansativo) o filme afirma que os 12 discípulos são 12 porque há 12 constelações do zodíaco… mais uma prova que os autores do filme nem sequer se deram ao trabalho de ler a Bíblia para a tentar descredibilizar: Jesus tinha muito mais de 12 discípulos, como já vimos: 70 foram enviados a evangelizar, em certa ocasião; José de Arimateia era um discípulo, ainda que secretamente #27 e após o suicídio de Judas, foi escolhido um entre dois específicos para o substituir. #28 Então porquê os 12? Simples: porque Jacob, também chamado Israel, teve 12 filhos. (Isto é descrito no Livro de Génesis, escrito muito antes da invenção do Zodíaco, antes que perguntem) De cada um desses filhos descende uma tribo de Israel. Os 12 discípulos iriam (e irão) julgar as 12 tribos de Israel #29. Por isso eles eram 12, e por isso quando um se suicidou, foi necessário eleger outro.

Logo a seguir, dá muuuuitos exemplos do número 12 espalhados pela bíblia. Mais uma vez, alguns erros para parecer maior a quantidade: José não tinha 12 irmãos, tinha 11. Ele era o 12º (esta é a segunda linha, que repisa um pouco a primeira). Não houve 12 profetas no Antigo Testamento, houve 16. Basta contar a quantidade de livros desde Isaías até ao fim do AT, excepto Lamentações, que foi escrito pelo profeta Jeremias, e os livros deutero-canónicos, nas bíblias que os tiverem.

Voltando às cruzes, bem… a cruz do zodíaco (que, como já vimos, a imagem mostrada é forçosamente posterior à época de Jesus) é diferente da cruz usada para a crucificação. Depois, nem “sempre”, como é dito, Jesus era mostrado nas imagens com uma cruz com uma argolinha. É fácil pegar em 3 ou 4 imagens e dizer que era sempre. No início, a cruz nem sequer era usada, pois era um símbolo de tortura. Apenas quando a religião católica se começou a paganizar, alguns séculos após a morte de Cristo, a cruz começou a ser usada nas imagens.

Em relação às passagens bíblicas mostradas, não há nada mais fácil do que retirar algumas palavras do contexto para lhes alterar o significado, portanto nem necessitam comentários.

Aos 21:20, em relação aos equinócios… uma pergunta: como é que “os antigos egípcios, bem como culturas antes deles“, conheceram fenómenos astronómicos que demoram, segundo o próprio filme, dezenas de milhares de anos a ocorrer? “As civilizações ancestrais sabiam muito bem disto”?

Aos 22:45, diz que Moisés mudou a era… diz uma frase fantástica “a maior parte dos estudiosos da Bíblia atribuem esta ira ao facto de os israelitas estarem a adorar um falso ídolo, ou algo semelhante“. Agora permitam-me continuar a frase: “mas não! as pessoas que passam a vida inteira a estudar a Bíblia não sabem nada sobre a Bíblia! nós, que já mostrámos bem ao longo do filme nem sequer a ter lido, é que sabemos!”. De facto, não são os estudiosos da bíblia que “atribuem” nada. A bíblia é que diz que era. #30
Mas mais uma vez, este episódio simplesmente não pode ter nada a ver com o zodíaco, pois aconteceu e foi registado por escrito muito tempo antes da criação do mesmo.

Depois começa a falar na era de Peixes, com Jesus. E mais algumas passagens bíblicas, e se não tivermos passagens com peixes, usamos passagens com pescadores! É capaz de ir dar ao mesmo!
Continuamos com o símbolo do peixe, usado ainda hoje por muitos cristãos, principalmente os seguidores do cristianismo bíblico. “Mal sabem eles o que realmente representa“… bem, desculpem estragar a festa, mas sabemos, sim… peixe, em grego, escreve-se “ichthys”, ou “ΙΧΘΥΣ” e é um acrónimo da frase “Jesus Cristo Filho de Deus Salvador”. O peixe era o símbolo usado pelos primeiros cristãos para se reconhecerem, na época em que o cristianismo ainda era uma religião proibida no império romano, e não podiam declarar-se cristãos em público. #31

Porquê a discrepância de 4 a 6 anos entre a data de nascimento de Jesus e a data de inicio da era de Peixes, que segundo o filme começa em 1 a.C. ? Não teria sido mais fácil, se isto fosse tudo uma farsa, criar um jesus nascido mesmo a 1 d.C.? fica a pergunta? Será que aqui eles são forçado a assumir que Jesus existiu mesmo?

No minuto 24:30, mais um versículo retirado do contexto: o “homem que levava o cântaro de água”, se lermos os versículos seguintes, esse homem não os guiaria depois da morte de Jesus, nem nada do género. Apenas lhes indicou a casa onde o mesmo Jesus, ainda vivo depois desta passagem descrita no filme, tomaria a ceia com eles. O homem que levava o cântaro nem aparenta ser o dono da casa. A própria descrição do filme é uma contradição: “quando o Sol (Jesus) sair da era de Peixes (Jesus) ” quando Jesus sair de Jesus?

Em relação à passagem de Mateus 28:20, é interessante, mas não surpreendente verificar que a passagem está incompleta: Jesus diz: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” ou na versão em inglês usada no filme: “I am with you alway, even unto the end of the world” #32

Podemos ver que o “todos os dias”, ou “alway” faz diferença no contexto. Podemos também verificar que em várias outras passagens, a palavra “aeon” pode significar, além de “era”, “eternidade”, “tempo”, “para sempre”, e mesmo “mundo” – no sentido de “fim do mundo” #33 portanto, parece perfeitamente válido, se ignorarmos as teorias das eras e das astrologias, aceitar a tradução como “fim do mundo”.

Vale a pena comentar a frase “literal e astrologicamente um híbrido, e ainda mais explicitamente um plagio de Hórus”? Já vimos que não é…

Ao minuto 27 começa uma lista interminável de supostas semelhanças entre a mitologia egípcia e o cristianismo… como a qualidade da imagem não nos permite ver bem mais do que algumas poucas linhas, pelo que eu sei a “lista” pode ser apenas a receita de caldo-verde da avó do autor do filme…

Ao minuto 27:20 começa a falar de Noé e do dilúvio. É verdade que existem centenas de versões do dilúvio espalhadas por todo o globo. Se existissem mais uma dúzia, ou até algumas dezenas, poderia aceitar-se que pudesse ser um plágio simples… No entanto, tantas versões tão espalhadas não podem sugerir que a história tenha de facto acontecido? E a versão hebraica é até a mais credível. Noé construiu um barco proporcionalmente perfeito, mesmo perante a engenharia naval actual #34. A “arca” da versão babilónica, por exemplo, era um cubo.

Aos 28 minutos começa a comparar Moisés com Sargão da Acádia, um rei da região mesopotâmica que terá vivido entre os séculos XXIII e XXII antes de Cristo. Este rei foi encontrado enquanto bebé a flutuar num cesto (sem qualquer referência a infanticídio), e que foi subindo na vida por seu próprio mérito até se tornar rei da Acádia.
Moisés não subiu na vida, no Egipto, por seu próprio mérito, e nem sequer foi rei do Egipto, quanto muito… príncipe!
Há assim tantas semelhanças? Para além disso, não há registos escritos no tempo da sua vida, mas os existentes foram escritos nos 2000 anos seguintes, o que pode colocar a questão: se, de facto, existe plágio, (não existem assim tantas evidências como isso) quem terá copiado de quem? #35

No livro dos mortos temos de facto algo como uma confissão de pureza com 42 itens. #36 A crer na versão do zeitgeist que os 10 mandamentos foram simplesmente plagiados, porque foram apenas 10 dos 42?
Aliás, se compararmos os 42 tópicos do Livros dos Mortos com os 10 Mandamentos #37, vemos que apesar de vários dos tópicos egípcios se repetirem em Mandamentos específicos, apenas 4 dos 10 Mandamentos têm semelhanças com o Livro dos Mortos. Então os outros 6 não contam? Basta haver apenas menos de 10% de semelhanças entre os dois e já é plágio?
É verdade que existe um “código moral” egípcio no Livro dos Mortos, como existiu na Babilónia no Código de Hamurabi, nos Judeus com os 10 mandamentos, entre muitos outros… grande parte das culturas e religiões de todo o mundo e de todos os tempos têm um código moral… e esse código moral é bastante semelhante em muitos aspectos… ora, tal como no caso do dilúvio, mais do que uma evidência de plágios variados e contínuos, um “código moral universal” não poderá ser uma evidência de um “legislador universal”?

Termina esta parte aos 29:25 a dizer que a mitologia Egípcia é a base da religião Judaico-Cristã. Mas como já vimos, muitas das semelhanças apresentadas no filme não existem, simplesmente; além de na lista agora apresentada serem apresentadas outras semelhanças não retratadas anteriormente no filme, portanto, sem serem confirmadas, mesmo pelo próprio filme.

Aos 30 minutos começa a falar de Justin Martyr, e a usar palavras desse historiador (que no contexto são de evangelização) para mostrar mais uma vez que a história de Cristo é plagiada. Se não se conseguir provar que é um plágio egípcio, babilónico, assírio, ou mesopotâmico de alguma forma, tenta-se com a mitologia greco-romana; pode ser que cole.
A única coisa que aparentemente Martyr (que era pagão, e conhecedor das filosofias pagãs) faz em ambas as passagens descritas é tentar explicar Jesus Cristo em consonância com aspectos que fossem já familiares às pessoas a quem está a escrever. #38 A mesma coisa que os cristãos de hoje em dia fazem. Chama-se evangelizar. é natural que se usem metáforas, analogias, comparações e paralelismos.
Um dos maiores professores de física do mundo, Stephen Hawking, é famoso por conseguir explicar teorias complexas de astrofísica a leigos precisamente através de metáforas, paralelismos e outros métodos semelhantes(O seu livro mais famoso, Breve História do Tempo, vendeu e continua a vender milhões de exemplares). Alguém diz que por causa disso, as teorias que ele ensina são falsas?
Aliás, esta técnica que Martyr usa é muito semelhante à que o Apóstolo Paulo usou na Grécia #39

Vemos mais um pouco de comédia, aos 30:50… É interessante notar que vale tudo, de facto, para denegrir as doutrinas judaico-cristãs… se não temos argumentos racionais, vamos lá pelos argumentos emotivos… e já agora, os cristão não acreditam necessariamente que o mundo tenha apenas 12.000 anos…

De seguida tenta apresentar a Bíblia contra si própria, insinuando que a História de Jesus foi copiada da História de José, descrita no Livro de Génesis… É uma afirmação um pouco complicada de fazer, especialmente quando já se demonstrou não se ter sequer lido a Bíblia. No entanto, apesar de as semelhanças entre eles não serem assim como são pintadas, a afirmação que é feita: “José era um protótipo de Jesus” quase se pode considerar verdadeira. No entanto, para a poder compreender, seria necessário estudar a vida de José e a razão de ser desses paralelos. Existem, sim, mas por uma razão. Não porque Jesus nunca tenha existido e então se tenha usado a própria história de um outro judeu para a criar…

Passamos então ao tema dos historiadores não cristãos. Também não me vou alongar muito a responder a este tema, mas o curioso é que nem sequer é necessário: o próprio filme contradiz-se a si mesmo… Onde?
Primeiro afirma muito peremptoriamente que nenhum, nem um historiador extra-cristão nunca se referiu a Jesus Cristo… Depois admite que houve 3, assim refutando o seu próprio argumento anterior.
Só isto devia bastar…
No entanto, acerca de Tácito, este refere especificamente que Cristo foi o originador dos cristãos, e foi executado sob Pilatos. #40, #41 O facto de as referências serem a Cristo e não a Jesus não têm grande importância, pois se houve um Cristo, quem mais poderá ter sido senão Jesus? Alguém mais reclamou essa “alcunha”? O Cristo é Jesus.
E falar acerca de Josefo daria pano para mangas…

Aos 33:10 temos mais algumas premissas erradas para forçar uma conclusão errada: Seria de esperar que um tipo que se ergueu dos mortos e que foi enviado para os céus para que todos o vissem, e que tenha levado a cabo vários milagres que o denunciaram, tivesse entrado em registos históricos.”

Para começar, ele não fez milagres nem ressuscitou para todos os olhos vissem. Na altura não havia televisão nem Internet. Após a sua ressurreição, Jesus foi visto por algumas centenas de pessoas apenas. #42 Pela mesma razão, os seus milagres eram testemunhados só pelas pessoas que a eles assistiam. E apesar do que o filme alega, é óbvio que Jesus Cristo entrou em registos históricos.

Mas aqui coloco uma questão: Se de facto, como esta frase do filme termina a dizer, Jesus nunca existiu, porque é que não há registos que digam isso? Os livros do Novo Testamento foram escritos nas décadas seguintes à morte de Jesus, durante o tempo de vida de pessoas que testemunharam os eventos. E não esquecendo que Jesus foi uma figura extremamente incómoda para as pessoas que tinham o poder (os sacerdotes judeus), porque estes não vieram a escrever algo do género “Esses tipos andam para aí a falar de um Jesus, mas isso é uma farsa! Ele não existiu”. É importante notarmos que os evangelhos não foram escritos pelas pessoas que detinham o poder. Foi escrito por pessoas perseguidas pelas pessoas que tinham o poder.

Aos 33:43:” Nós não queremos ser indelicados, mas queremos ser factuais. Não queremos causar sentimentos de mágoa, mas queremos ser academicamente correctos”
Se há algo que este filme não é, é factual. Se há padrões que este filme viola, são os académicos. Nem sequer o próprio livro que critica analisam minimamente bem.

E para o fim, a melhor afirmação: Jesus foi uma figura criada pelos romanos para controlo político e social.
Se alguém se der ao trabalho de ler a Bíblia, concluirá que esse simplesmente não pode ser o caso.
Mas para usar factos, para sermos “factuais”; fica uma pergunta: se o cristianismo e as “doutrinas políticas com motivação cristã” foram estabelecidas no concelho de Niceia no séc. IV d.C. como é que se explica que o manuscrito mais antigo encontrado – curiosamente uma parte do último livro da Bíblia, o Apocalipse, o que mostra que foi o último a ser escrito – é aceite como sendo datado de 125 d.C., sendo já esse manuscrito uma cópia e não o original? #43

Há apenas mais uma frase que quero comentar: ” [a religião] reduz a responsabilidade humana sob a premissa de que ‘Deus’ controla tudo, e que por sua vez os mais terríveis crimes podem ser justificados em nome da perseguição Divina”.
Em LADO ALGUM a Bíblia atribui a Deus a responsabilidade pelos actos humanos, e em LADO ALGUM a Bíblia aprova qualquer tipo de crimes. Isto que fique bem claro. O Homem É responsável pelos seus actos e pelas suas decisões. #44

Não vamos analisar as outras duas partes seguintes, pois o que me interessa defender é o Cristianismo Bíblico, mas a julgar pela amostra, é natural que tenham tanto de verdade como esta primeira.

Espero, João, que esta pequena análise pareça séria aos teus olhos. Foi feita com recurso a materiais disponíveis na Internet, a enciclopédias reconhecidas, e com todas as fontes possíveis.
Talvez isto não seja suficiente para te mostrar que o Cristianismo Bíblico não é uma farsa. Mas espero que pelo menos tenha mostrado que o zeitgeist o é.

FONTES:

#1 – “zodiac.” Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica 2009 Student and Home Edition.  Chicago: Encyclopædia Britannica, 2009.)
#2 – http://www.star-names.freeserve.co.uk/zodiac.htm
#3 – http://www.touregypt.net/godsofegypt/ra.htm
#4 – “Re.” Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica 2009 Student and Home Edition.  Chicago: Encyclopædia Britannica, 2009.
#5 – http://encyclopedia.jrank.org/articles/pages/120/The-Osirian-Khoiak-Festival-Drama.html
#6 – http://www.digitalegypt.ucl.ac.uk/ideology/khoiak.html
#7 – http://www.pantheon.org/articles/i/isis.html
#8 – http://www.sacred-texts.com/egy/leg/leg22.htm (paragrafo 16)
#9 – http://www.experiencefestival.com/a/Shemsu-Heru_Heru-Shemsu/id/137867
#10 -http://www.sacred-texts.com/egy/leg/leg11.htm
#11 – http://www.egyptartsite.com/hormyth.html
#12 – http://homepage.mac.com/cparada/GML/Attis.html
#13 – http://www.sanatansociety.org/hindu_gods_and_goddesses/krishna.htm
#14 – “Krishna.” Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica 2009 Student and Home Edition.  Chicago: Encyclopædia Britannica, 2009.
#15 –  “Dionysus.” Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica 2009 Student and Home Edition.  Chicago: Encyclopædia Britannica, 2009.
#16 – “Mithra.” Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica 2009 Student and Home Edition.  Chicago: Encyclopædia Britannica, 2009.
#17 – Mitra. In Diciopédia 2009 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2008. ISBN: 978-972-0-65264-5
#18 – “Christmas.” Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica 2009 Student and Home Edition.  Chicago: Encyclopædia Britannica, 2009.
#19 – Evangelho segundo Mateus Cap. 2, Vers 1
#20 – Evangelho segundo Lucas 2:46
#21 – Evangelho segundo Lucas 10:1, 17
#22 – Evangelho segundo Mateus 2:11
#23 – Evangelho segundo Lucas 2:7
#24 – Evangelho segundo Mateus 2:9
#25 – Evangelho segundo Mateus 2:16
#26 – http://www.experiencefestival.com/a/Crux/id/455649
#27 – Evangelho segundo João 19:38
#28 – Livro dos Actos dos Apóstolos 1:21-25
#29 – Evangelho de Mateus 19, 28
#30 – Livro do Êxodo, 32:22
#31 – http://en.wikipedia.org/wiki/Ichthys
#32 – http://www.studylight.org/isb/bible.cgi?query=Matthew+28%3A20&section=0&it=kjv&ot=bhs&nt=na&Enter=Perform+Search
#33 – http://www.studylight.org/isb/view.cgi?number=165
#34 – http://www.biblicalcreation.org.uk/biblical_studies/bcs043.html
#35 – “Sargon.” Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica 2009 Student and Home Edition.  Chicago: Encyclopædia Britannica, 2009.
#36 – http://www.touregypt.net/bod122.htm
#37 – Livro do Êxodo, 20:3-17
#38 –”Justin Martyr, Saint.” Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica 2009 Student and Home Edition.  Chicago: Encyclopædia Britannica, 2009
#39 – Livro dos Actos dos Apóstolos, 17:23
#40 – http://www.facingthechallenge.org/tacitus.php
#41 – “Em Defesa de Cristo”, Strobel, Lee – Editora Vida ISBN 85-7367-561-6 p. 106s
#42 – 1ª Carta de Paulo aos Coríntios, 15: 5-8
#43 – http://scriptorium.lib.duke.edu/papyrus/texts/manuscripts.html
#44 – Livro de Ezequiel 18:20

3 Respostas to “Zeitgeist”

  1. jmct said

    Oi, desculpa antes de mais por estar a fazer um comentário sem ler o post.

    Vejo que em relação ao Zeitgeist falas apenas da parte sobre a religião. Gostava de saber a tua opinião sobre os outros assuntos.

    Especialmente se não viste ainda o Zeitgeist Addendum gostava que visses, não fala nada de religião, é apenas sociedade.

    Uma vez mais aproveito para dizer, em questões sociais e de bem estar na vida, que vos trás a religião?

    Abraço

  2. Mikha´el said

    Olá Jmct

    Obrigado por passares por aqui, e lê o post quando puderes… creio que valerá a pena.

    Em relação às duas partes seguintes do filme, após fazer esta análise à primeira, a conclusão mais imediata é: “a julgar pela amostra, é natural que tenham tanto de verdade como esta primeira parte.”, conforme digo no final do post.

    No entanto, há outras perspectivas a considerar: em relação à segunda parte, sobre o 9/11, já tinha visto outro documentário mais aprofundado e aparentemente melhor documentado do que este – Loose Change – por isso não me surpreendeu. (O que não quer dizer que acredite nesta versão da história. Apenas tenho a certeza de uma coisa: alguém vai ter que responder pelos milhares de vidas que se perderam…)

    Em relação à terceira parte, a nova ordem mundial, ou o governo mundial é um acontecimento que foi profetizado na bíblia há 2000 anos atrás, por isso acho extremamente irónico que um documentário com uma parte a destruir a bíblia, e depois outra a corroborá-la…

    durante as pesquisas para este post deparei-me com várias referências ao Addendum, mas sinceramente não me despertou a cusriosidade o suficiente para ver. No entanto, num futuro próximo, poderei vê-lo… é uma questão de acontecer a combinação entre a oportunidade e a memória…

    Ao leres o post, poderás verificar que eu não defendo qualquer religião. Defendo apenas a Bíblia.
    A religião não nos aproxima de Deus, de facto afasta-nos, ao tornar-se um intermediário.

    Um abraço

  3. Rosiei Aparecida Cândido Silva said

    Mikha´El

    Obrigada pela profundidde do estudo.

    Ao ver Zeitgeist a primeira coisa que me ocorreu foi procurar fontes para identificar o que era de fato verdadeiro. Encontrando seu comentários terminei minhas buscas, visto que nelas há bases demontradas ao final.

    É muito triste constatar a falta de espírito investigativo, me faz lembrar Oseias 4:6 O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento.

    Abraços!

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